Comentário ao Evangelho
(Mateus 2,13-18)
O triste episódio da perseguição do Messias Jesus e o da matança dos inocentes de Belém seguem paralelos aos fatos ocorridos no passado, com o recém-nascido Moisés, no Egito. O Evangelho relaciona Moisés e Jesus, visando identificar este último como libertador do povo, e guia do verdadeiro Israel.
Herodes faz lembrar a figura do faraó egípcio, que odiou mortalmente os israelitas, os quais queria eliminar, lançando mão de meios violentos e cruéis. Apesar da perseguição sistemática, o pequeno Moisés foi salvo pela Providência divina, que guiava os acontecimentos para que não se concretizasse o plano malvado do faraó. Jesus, por sua vez, foi salvo pela intervenção direta de Deus, que, em sonho, orientou José a respeito das medidas que deveria tomar. As criancinhas de Belém, com menos de dois anos, cruelmente trucidadas, evocam os filhos dos hebreus, do sexo masculino, vilmente assassinados logo que saíam do ventre materno.
Assim como a salvação de Moisés inseria-se num grande projeto de libertação do povo, do mesmo modo, o menino Jesus foi poupado da morte porque o Pai lhe havia reservado a tarefa ingente de salvar a humanidade. Então surgiria o verdadeiro Israel, formado segundo o coração de Deus.
A presença do menino Jesus no Egito faz dele o verdadeiro Moisés. De lá, também haveria de começar sua missão libertadora.
Oração
Espírito de entrega à Providência divina, dá-me inteligência para perceber como Deus guia minha vida, segundo a sua vontade, para fazer de mim instrumento de libertação.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.