Comentário ao Evangelho
(Lucas 2,22-35)
O cumprimento da Lei mosaica, referente à purificação da mãe, quando do nascimento do seu primogênito, teve um valor altamente simbólico na vida de Jesus.
A liturgia da apresentação tornava o recém-nascido consagrado a Deus. Logo, sua propriedade particular. No caso de Jesus, a apresentação serviu para evidenciar um dado fundamental de sua identidade: a condição de Filho de Deus. Donde a santidade de que se revestia sua pessoa. Por isso, Simeão pode proclamá-lo como "luz para iluminar as nações". Esta luminosidade provinha de sua filiação divina, de sua santidade.
Sua presença no templo de Jerusalém reforçava sua comunhão com o Pai. A casa de Deus era também sua casa. Aquele era seu mundo por excelência, já que era Filho e devia obediência ao Pai. No futuro, haveria de lançar severas críticas contra o Templo, transformado em antro de ladrões, despojado de suas finalidades peculiares.
A oferta de Maria e José manifestava, claramente, que eram pobres. Um casal de rolas ou duas pombinhas era a menor das ofertas, por ser acessível a todos, mesmo os mais carentes. Jesus foi apresentado ao Pai, como pobre. Esta pobreza contrastava com a riqueza e o esplendor do ambiente. Embora a casa do Pai tivesse sido descaracterizada, ele continuava a ser, como sempre, o mesmo protetor dos pobres. E entre estes, o seu próprio Filho.
Oração
Espírito de amor ao Pai, consagra-me inteiramente a ele que é o centro da minha existência, para que, como Jesus, minha vida seja toda dedicada ao serviço do seu Reino.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.