Comentário ao Evangelho
(Lucas 21, 29-33)
As palavras de Jesus a respeito do fim – as realidades escatológicas – corriam o risco de serem ridicularizadas, como se tivessem sido proferidas por um néscio, ou caírem no esquecimento. O Mestre intuía o risco de condenação eterna implicado nesta postura temerosa. Quem não desse crédito a seu alerta, teria muito com que se preocupar. O fim caminhava veloz. Não se tinha como detê-lo. Os discípulos deveriam se prevenir, de forma a não serem tomados de surpresa.
A figueira, tão comum na Palestina, foi evocada na parábola de Jesus, visando inculcar nos discípulos o sentido do discernimento. O agricultor experiente tem a exata noção das estações do ano, servindo-se da observação cuidadosa do ciclo natural das plantas. Quando a figueira começa a dar frutos, o camponês não tem dúvida de que o verão se aproxima. Esta esperteza quanto aos elementos da natureza deve ser aplicada, com as devidas adaptações, no que tange à salvação. A falta de discernimento poderá ser fatal.
O discípulo atento é suficientemente inteligente para não duvidar da vinda do Reino de Deus, anunciada por Jesus. As palavras do Mestre são verídicas e se cumprirão mesmo que todo o cosmos ("o Céu e a Terra") seja arruinado. A firmeza das palavras de Jesus deveria convencer o discípulo de que é fundamental alicerçar sua vida nos ensinamentos do Mestre. Só, assim, estará preparado para ser acolhido no Reino que virá.
Oração
Pai, reforça a sinceridade de minha fé nas palavras de teu Filho Jesus, pois nele o teu Reino se faz presente na nossa história, realizando, assim, tua promessa de salvação.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.