Comentário ao Evangelho
(Lucas 21,20-28)
O texto evangélico combina dois movimentos: o fim de uma etapa da longa história de Israel, marcada pela destruição de Jerusalém, e o início do tempo escatológico com o advento do Filho do Homem, "vindo sobre as nuvens com grande poder e majestade".
A ruína da Cidade Santa, segunda na sua história, seria um golpe profundo para os judeus piedosos, pois veriam esvair-se todas as esperanças, das quais esta cidade era símbolo. Seus habitantes perderiam seu ponto de referência: o lugar da morada de Deus. Era como se uma maldição se abatesse sobre o povo eleito, votando-o a uma irremediável desagregação.
Jesus profetizou-lhe um futuro de morte, cativeiro e humilhação por parte dos pagãos. Servindo-se da linguagem apocalíptica da época, proclamou que a natureza inteira estaria implicada neste processo de metamorfose histórico-teológica. Esta transição levaria a natureza a sofrer profundos abalos, como os descritos nas manifestações bíblicas de Deus, as teofanias.
Então, o Filho do Homem – Jesus – fará gloriosamente sua irrupção na história humana. Isto não significa o fim do mundo, mas o início de novos tempos nos quais a humanidade terá a chance de deixar-se guiar pelo Filho de Deus. A acolhida desta novidade dependerá de um ato livre da vontade humana. Cada qual poderá optar por rejeitar a oferta divina de salvação para trilhar o caminho do pecado, que leva à morte. As pessoas prudentes, no entanto, saberão acolher o dom de Deus que gera a vida: Jesus Ressuscitado.
Oração
Pai, faze-se adequar meu existir à novidade que me é oferecida por Jesus, como dom teu à humanidade, de modo que eu possa usufruir dos benefícios de tua salvação.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.