Comentário ao Evangelho
(Mateus 8,5-11)
A exclamação do oficial romano - "Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa" - expressa a condição de todo cristão, diante da iminente vinda do Senhor: somos todos indignos. A dignidade constrói-se pelo engajamento na luta por construir um mundo de amor e de justiça, compatível com o projeto de Deus, proclamado por Jesus. Resulta de um esforço gigantesco de neutralizar as conseqüências do egoísmo no coração humano, de forma que este recupere o primado da misericórdia e do perdão. Expressa-se num modo de proceder modelado no de Jesus.
A preparação para receber o Senhor acontece em meio às tensões da vida e às múltiplas solicitações provindas do mau espírito. Sob o impacto destas pressões, o discípulo precisa estar pronto quando, o Senhor chegar. Daí a necessidade de um contínuo discernimento, para saber por onde ir e como caminhar, sem se desviar da meta. Caso contrário, correrá o risco de trilhar o caminho errado.
Contudo, a consciência da própria indignidade não pode descambar para um estado de autodesvalorização, cujo efeito seria bloquear toda iniciativa para superar as próprias limitações. Preparando-se para acolher o Senhor, o pecador deve saber-se amado e valorizado por Deus, que o predispõe para abrir-se à ação da graça.
Oração
Espírito que predispõe para acolher o Senhor, que eu tome consciência de ser pecador, mas amado por Deus, o qual, com sua graça, me torna digno de acolher o Messias que vem.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.