Comentário ao Evangelho
(Marcos 8,34-9,1)
Jesus não fazia segredo das exigências que apresentava a quem aceitasse ser seu companheiro de caminhada. A proclamação feita diante do povo e dos discípulos visava coibir qualquer pretensão descabida. Seu discurso centrou-se no tema da cruz.
O primeiro passo para o seguimento consistia em renunciar-se a si mesmo. Tratava-se de deixar de lado os projetos pessoais, para que o Reino fosse prioridade absoluta na vida do discípulo. A opção pelo Reino não podia subordinar-se a nenhuma outra. Para isso, o discípulo deveria apresentar-se livre de qualquer apego.
Uma vez dado o primeiro passo, ele era instado a tomar a própria cruz. "Cruz", neste caso, corresponde à missão reservada por Deus ao discípulo de Jesus, com todas as suas conseqüências, mesmo as mais desafiadoras. A referência à cruz alerta para um dado importante: o seguimento será sempre uma opção difícil. Para perseverar nela, até o fim, é necessária uma adesão incondicional ao Mestre. E a profundidade desta adesão manifesta-se nos momentos da provação.
O passo seguinte diz respeito ao seguimento efetivo de Jesus. Tem a ver com os passos anteriores, pois consiste em viver a cruz, inspirando-se no Mestre. O discípulo deve modelar-se no testemunho de vida de Jesus, especialmente, na sua capacidade de prosseguir resoluto, guiando-se pelo projeto do Pai, mesmo à custa do martírio.
Oração
Pai, transforma-me num seguidor fiel de Jesus, que saiba carregar a própria cruz e pôr-se no seguimento dele, mesmo devendo suportar humilhação e até a morte.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.