Comentário ao Evangelho
(Lucas 13,18-21)
A parábola do grão de mostarda que cresce até se tornar uma grande árvore previne os discípulos contra certas tendências mesquinhas de querer abafar o dinamismo do Reino e torná-lo apanágio de um grupinho de privilegiados. É a tentação de reduzi-lo a uma seita fechada da qual os pobres e os pequeninos são os primeiros a serem deixados de lado.
O Reino irrompeu na história humana de forma misteriosa, oculta e aparentemente insignificante. Nada de estardalhaço nem de exuberância. Como tudo o que diz respeito às coisas de Deus, sua presença nem se fez notar. Implantado pelo ministério de Jesus, começou simples como foi simples a trajetória humana do Filho de Deus.
Entretanto, estava destinado a tornar-se grande e abarcar o mundo todo, de modo que todos os povos de todas as nações, especialmente os pagãos, pudessem ser acolhidos por ele. Como as aves do céu vêm pousar nos ramos da grande árvore nascida do grão de mostarda, assim os excluídos deste mundo encontrariam abrigo no Reino de Deus.
O crescimento rápido e irresistível desse Reino não dispensa seus elementos constitutivos iniciais: humildade, simplicidade, fraqueza. O Reino torna-se grande, sem se revestir da grandeza própria do mundo. Sendo de Deus, seus atributos são os mesmos dele. Sua característica principal será a misericórdia e o trato benévolo com todos, sem exceção, embora os pobres sejam os privilegiados.
Oração
Senhor, faze de mim instrumento de teu Reino para que ele chegue a todas as pessoas, sem exceção, mormente os pobres e marginalizados.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.