Comentário ao Evangelho
(Lucas 13,10-17)
O chefe da sinagoga não pôde suportar a cura realizada por Jesus. Era uma violação gravíssima do preceito sagrado, a observância do sábado. Indignado, apostrofou todos os que buscavam ser curados, e não apenas a mulher: por que procurar Jesus exatamente em dia de sábado, quando existem seis outros dias em que lhe é permitido curar? Tal censura indiretamente atingia também a Jesus, pois escondia a acusação de que estivesse agindo com leviandade ao curar a mulher. Estava violando um mandamento sem razão.
A resposta do Mestre questionou a mentalidade do chefe da sinagoga, mas também a dos fariseus em geral. Seu argumento tem uma lógica inquestionável: entre as muitas regras relativas às espécies de nós que podiam ser feitos ou desfeitos em dia de sábado constava, também, a de se poder desamarrar um boi ou um burro para levá-lo a beber. Por que não haveria de ser permitido curar uma pessoa em dia de sábado? Mentalidade absurda e imoral essa que concede a um animal o que se recusa a um ser humano! Neste caso, a uma filha de Abraão.
Esta também estava presa por um laço terrível que a obrigava a viver encurvada. Era preciso desatá-la, sem demora, sem se perguntar pelo dia da semana.
A questão da observância do sábado era irrelevante diante da urgência de libertar a mulher de sua doença e, por extensão, da opressão de uma lei desumana, contrária ao querer divino.
Em suma, o amor ao próximo tem a primazia sobre qualquer outro mandamento. E deve ser praticado a todo instante!
Oração
Pai, que eu saiba dar ao amor ao próximo a devida primazia, não submetendo este mandamento a preceitos secundários que me impedem de descobrir a tua verdadeira vontade.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.