Comentário ao Evangelho
(Lucas 12,39-48)
Pedro desejava saber para quem Jesus estava dirigindo a parábola do dono da casa e do ladrão: para o grupo de discípulos ou para todos os presentes? A conclusão da parábola do servo fiel e do servo infiel, contada logo em seguida, serve de pista para responder a esta preocupação. "A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi entregue, muito mais se pedirá". Bastava que os discípulos considerassem sua condição em relação a Jesus para saber a quem se destinava o ensinamento do Mestre.
Quanto mais alguém se aproxima de Jesus e se deixa interpelar por ele, mais obrigação terá de colocar em prática os seus ensinamentos. Pelo contrário, quem aderiu a Jesus, mas leva uma existência preguiçosa e despreocupada, não agindo em conformidade com o projeto de Deus, tem sérios motivos para se inquietar. A hora do encontro com o Senhor pode chegar a qualquer momento. E esse discípulo tolo poderá ser encontrado despreparado, pondo a perder toda a sua vida.
Os primeiros a serem visados pelas palavras de Jesus são os líderes das comunidades cristãs. Afinal, foi-lhes confiada a tarefa de guiar os irmãos na fé, exatamente por terem se deixado tocar pelo Reino, de forma radical. Sem isto, estariam incapacitados para esta missão tão delicada, e sua ação poderia ter o efeito contrário: afastar do Reino quem foi confiado a seus cuidados. Portanto, a liderança eclesial tem o dever de dar testemunho de uma fé robusta, que se expressa numa existência totalmente voltada para a misericórdia.
Oração
Pai, leva-me a tomar consciência de que muito será exigido de mim, pois muito me foi dado. Que minha vida seja compatível com minha condição de discípulo do teu Reino.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.
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