.







REFLEXÃO

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

AFIRMAÇÕES ENIGMÁTICAS

Comentário ao Evangelho
(Lucas 12,49-53)

O texto evangélico contém algumas afirmações de difícil interpretação. Entre elas, a declaração de Jesus de ter vindo trazer fogo à Terra, e seu desejo de já vê-lo inflamar. Que fogo é esse, que ainda não se propagou?

Recorrendo à pregação dos antigos profetas, é possível relacionar as palavras de Jesus com o juízo final, em que os eleitos serão purificados, e os ímpios, exterminados. Neste caso, o Mestre haveria de realizar as esperanças escatológicas do povo de Israel: ver a história purificada de toda a maldade. O fogo de Pentecostes, dom do Ressuscitado à Igreja, poderia ser identificado com a antecipação dos últimos dias.

A realização do desejo de Jesus exigia dele passar para uma prova terrível. Só em pensar nela, ficava angustiado. Por isso, desejava vê-la superada o mais rápido possível. Trata-se de um batismo, que não é o de João, recebido no início do seu ministério. Neste batismo, ele se mostrou solidário com o povo pecador, em busca de conversão, em vista do perdão futuro. Agora, deverá passar por um outro batismo, por uma nova prova em vista da purificação do seu povo.

Sem dúvida, o Mestre se referia à paixão e morte de cruz que se aproximavam. Elas teriam a função de purificar a humanidade de seus pecados, como um fogo abrasador, de modo a antecipar o juízo final de Deus sobre a história humana. A maldade estava finalmente condenada.

Oração

Pai, que o batismo de Jesus, por sua morte de cruz, purifique-me de todo pecado e de toda maldade, como um fogo ardente, abrindo o meu coração totalmente para ti.

Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.

http://www.domtotal.com/religiao-liturgia-diaria.html