HOMILIA
DIÁRIA
(Ageu
1,15-2,9 / Lucas 9,18-22)
“O Filho do Homem deve sofrer muito, ser
rejeitado pelos anciãos, pelos sumos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser
morto e ressuscitar no terceiro dia”
(Lucas 9,22).
Aquilo que Jesus
está anunciando de si mesmo é o que muitos de nós homens não queremos saber a
respeito de nós mesmos, porque, de si mesmo, Jesus está anunciando o
sofrimento, a rejeição e a morte.
Se tem três
palavras que nós não queremos no nosso vocabulário é sofrimento, rejeição e
morte. Veja que isso nasce da pergunta que Ele faz: “Quem dizem que eu sou?
Alguns diziam que é Elias ou um dos profetas”. É Pedro, no entanto, que diz:
“Tu és o Jesus Cristo”. Jesus responde: “Pedro, não diga isso a ninguém,
enquanto não compreenderem quem é o Cristo”. (cf. Lucas 9,18-19)
Quem é o Cristo?
Ele é o servo sofredor, é o
homem que assume a nossa humanidade com todas as
suas consequências. Cristo assumiu a nossa humanidade, mas nós, muitas vezes,
não a queremos assumir.
Não dá para sermos
homens e mulheres na humanidade mais plena se não abraçarmos aquilo que a
humanidade gera em nós. Sim, o sofrimento é inerente à natureza humana, não é
sofrer por sofrer, porque sofrer é a condição para existir, é a consequência do
mundo em que estamos.
O mundo se tornou
injusto, pecador, e isso gera, na nossa vida, terríveis sofrimentos. Alguém vai
dizer: “Quem está em Deus não sofre”. Sofre, mas sofre com dignidade, apenas
que dá sentido ao sofrimento.
Morremos para esse mundo e nascemos para Deus, de modo
que nem a morte última tem poder sobre nós
Há pessoas que não
querem sofrer, mas causam tanto sofrimento na vida dos outros! O grande ou o
terrível sofrimento é não saber sofrer com dignidade. O terrível sofrimento é
não assumir os sofrimentos e não conceder a eles a vida nova, a vida em Deus na
qual Ele nos resgatou.
Somos rejeitados
como Cristo foi rejeitado, e segui-Lo quer dizer ser rejeitado mesmo, porque a
Palavra d’Ele é rejeitada, então, quem O segue também será rejeitado, a Palavra
d’Ele não é amada, e segui-Lo significa não ser também amado.
A realidade mais
certa da vida é que morreremos; a diferença é que não encaramos a morte como
tragédia. A tragédia é para aqueles que não conhecem Deus, a tragédia é para
aqueles que não morrem em Deus, a tragédia da morte é para aqueles que não têm
a vida em Deus.
Morremos para este
mundo e nascemos para Deus, de modo que nem a morte última tem poder sobre nós.
Ela pode nos arrebatar neste mundo, mas não nascemos para este mundo. Nascemos
para ser para sempre de Deus.
No nosso
vocabulário, sofrimento, rejeição e morte têm significado de dignidade, porque
o Filho do Homem sofreu, foi rejeitado e morreu para nos dar a vida. Por isso,
somos seus seguidores carregando a nossa cruz de cada dia com todas as suas consequências,
com o sofrimento, a rejeição e morte que traz vida nova.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da
Comunidade Canção Nova
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