HOMILIA DIÁRIA
(Juízes 6,11-24/ Mateus 19,23-30)
“Em verdade vos digo, dificilmente um rico
entrará no Reino dos Céus. E digo ainda: é mais fácil um camelo entrar pelo
buraco de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus”
(Mateus 19,23-24).
Muitas vezes, as
pessoas querem aliviar aquilo que Jesus falou dizendo que não foi isso que Ele
disse, mas não podemos dizer que Jesus não disse isso, porque Ele disse:
“Dificilmente um rico entrará no Reino dos Céus”.
Não é que os ricos
não entrarão no Céu, pelo contrário, olhemos os próprios ricos do Evangelho,
José de Arimateia e Zaqueu, que viviam em função de suas riquezas, mas se
abriram para a graça de Deus, a riqueza maior da vida deles passou a ser o
Reino de Deus.
Não entra no Reino
dos Céus quem não tem o Reino dos Céus como a grande riqueza da sua vida. Aqui
há uma outra preocupação importante: os sentimentos que as riquezas provocam no
coração humano. Seja a pessoa que possui alguns bens, seja a pessoa que possui
muitos bens, cuidado com os sentimentos, porque são eles que nos afastam do
Reino de Deus.
O primeiro
sentimento é a cobiça. O rico é aquele que cobiça ter mais e nunca está
satisfeito com o que tem, cobiça até o que o outro tem. Ser mais que o outro,
superar o outro é desejar possuir de forma desordenada e nunca se conformar com
o que tem.
Não entra no Reino dos Céus quem não tem o Reino
dos Céus como a grande riqueza da sua vida
Outro sentimento
terrível é a avareza. O amor desordenado aos bens materiais, a valorização da
vida a partir das coisas materiais.
O Reino dos Céus é
o reino espiritual, onde toda a matéria será vencida, inclusive, essa matéria
corporal que nós temos. Veja, como nós temos sentimento de rico! Apegamo-nos às
coisas materiais, e possuir ou não possuir coisas materiais causa-nos tormento,
preocupação e perturbação. Perder algo material é o fim da vida para muitos de
nós, então, esses sentimentos são terríveis.
Outro sentimento
de rico, do qual temos que nos precaver, é a justiça, é nos acharmos melhores,
porque temos as coisas e não nos preocupamos com aqueles que não as têm, até se
orgulhar: “Eu consegui. Eu cheguei lá”, e eles são os coitados. Não têm
compaixão pela dor do outro, pelo sofrimento do outro.
Outra preocupação
terrível é a opulência. A opulência de possuir as coisas, de gastar as coisas e
não estar nem aí para quem não tem. Eu vejo até crianças com o sentimento de
rico, que colocam comida no prato e depois a jogam fora, desprezam e quebram as
coisas que têm e não estão nem aí. É a opulência da vida, é a pessoa gastar,
numa noite, o que muitos a vida inteira não conseguem ganhar um terço, nem um
pedaço, e não se preocupam com o que se passa na vida dos outros neste mundo.
O problema do
rico, evangelicalmente falando, é ter os olhos vendados. Só consegue enxergar
os bens, as riquezas, os valores materiais; não abre os olhos para as
realidades evangélicas: o amor, a humildade, a fraternidade, a compaixão e o
cuidado para com o outro.
Sejamos ricos de
valores evangélicos, para que este mundo material não nos domine.
Deus abençoe você!
Padre
Roger Araújo
Sacerdote da
Comunidade Canção Nova
https://homilia.cancaonova.com/homilia/tenhamos-o-reino-como-a-nossa-grande-riqueza/
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