HOMILIA DIÁRIA
(Josué
24,1-13/ Mateus
19,3-12)
“Os fariseus perguntaram: ‘Então, como é que
Moisés mandou dar certidão de divórcio e despedir a mulher?’ Jesus respondeu:
‘Moisés permitiu despedir a mulher por causa da dureza do vosso coração’”
(Mateus 19,7-8).
O
tema principal daquilo que escutamos, hoje, na Liturgia da Palavra, de fato, é
o divórcio, porque este faz parte da história da humanidade em todos os tempos.
No princípio, Deus
criou o homem e a mulher para serem uma só carne, e o princípio bíblico é
justamente esse: aquilo que Deus uniu o homem não separe. E quando digo “homem”
é a humanidade, porque a humanidade não pode trabalhar para separar o que a
bênção de Deus constituiu.
Tem sido um
trabalho duro para tirar do coração a instabilidade dos casamentos. A realidade
matrimonial tem se tornado descartável e querem tornar a família descartável. O
amor é só enquanto dura e temos amores de dias, de tempos e não amor de
assumir, amor definitivo, amor de compromisso.
Por que isso
acontece? A resposta é o próprio Jesus que dá: é por causa da dureza do nosso
coração. Em um coração duro o amor não penetra, o amor não cresce, não fecunda,
não dá frutos. Há amor, mas ele para na dureza do coração; até o amor que há
morre. Por isso, a vida matrimonial precisa ser trabalhada no coração do homem
e da mulher. Onde? Na dureza que há no coração.
O coração vai se
endurecendo pelo ressentimento, pelas mágoas, desentendimentos, pelas coisas
que não se encaminham bem. À medida que vamos guardando ressentimentos e
mágoas, todas essas coisas vão endurecendo o nosso coração.
Um coração duro, o
amor não penetra, o amor não cresce, não fecunda, não dá frutos
Um relacionamento
que um dia prometeu amor eterno se torna insuportável, por isso é necessário
mais do que nunca trabalhar o coração. Porque se permitimos que o nosso coração
se endureça, realmente não vamos suportar a realidade da vida a dois, da vida
do matrimônio. É uma vida exigente, santa e séria, por isso é preciso abrir o
coração para que a graça de Deus esteja nele.
Abra o coração
pela oração. O que fecunda a vida de um casal é o amor, mas é o amor que é
voltado primeiro a Deus. Um casal não tem que amar primeiro um ao outro. Tem
que se amar muito, porque sem amor ninguém subsististe. Mas ame a Deus acima de
todas as coisas, abra o coração para que Ele entre, para que oriente, conduza e
esteja presente.
Uma das coisas
mais duras que há na vida matrimonial hoje é que os casais não rezam, cada um
reza no seu cantinho, às vezes, até vão à missa separados. Se os casais
começassem a rezar juntos e fizessem disso uma prática de vida, podemos ter
certeza que é um canal para Deus não permitir que o coração endureça.
Deus abençoe você!
Padre
Roger Araújo
Sacerdote da
Comunidade Canção Nova
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