HOMILIA
DIÁRIA
(Jeremias
1,17-19/ Marcos 6,17-29)
“O soldado saiu, degolou-o na prisão, trouxe a
cabeça num prato e a deu à moça. Ela a entregou à sua mãe”
(Marcos 6,27-28).
Estamos diante de um dos fatos mais dramáticos, duros e cruéis do relato
evangélico: o martírio de João Batista.
João morreu por
aquilo que viveu, ele deu a sua vida por aquilo que acreditou. João era um
homem justo, todo de Deus. Viveu com muita coerência e sem pecar a fé que ele
acreditou. Testemunhou, profetizou e morreu por causa da sua profecia.
Algumas pessoas querem
fazer da profecia o adivinhar das coisas quando, na verdade, não é isso. O
profeta é o homem do anúncio, e João foi o homem que anunciou Jesus com a vida
e com a Palavra.
Ele foi o maior
dos profetas, porque anunciou quem era o Cordeiro de Deus, e não permitiu que
ninguém o cultuasse nem o elevasse: “Eu não sou digno nem de desatar as
correias de sua sandália. Convém que Jesus cresça, e eu desapareça”.
O profeta é aquele
que desaparece para que Jesus apareça, é aquele que anuncia Jesus como o único
que pode nos salvar. O profeta é aquele que também denuncia tudo aquilo que
contradiz o Reino dos Céus, tudo aquilo que não representa a verdade. E, ali,
estava toda a incoerência da vida de Herodes, vivendo uma vida onde ele roubou
a mulher do seu irmão. Não era só um adultério, era também uma injustiça, uma
maldade, um crime aquilo que Herodes fez.
O profeta é aquele que
desaparece para que Jesus
apareça, é aquele que anuncia Jesus como o único que pode nos salvar
Não é porque ele
era Herodes que João Batista foi passar a mão na cabeça dele. Muitos pregadores
e anunciadores fazem isso, e quanto aos pobres pecadores, todo mundo coloca no
ventilador seus pecados. Mas quando as pessoas são consideráveis, procuramos
fazer vista grossa, porque não queremos incomodá-las. Queremos incomodar os que
já estão incomodados pela vida. Por isso João não temeu, ele disse para Herodes
que o que ele vivia era pecado e era grave. Esse era o ódio de Herodíades, por
isso que ela pediu a cabeça de João Batista.
Esse foi o preço que
João pagou pela coerência, pela verdade, pela sensatez, pela profecia e pelo
amor que ele tinha por Cristo.
Pelo amor que nós
temos por Jesus, não sejamos coniventes com o erro, não sejamos coniventes com
o que é errado simplesmente para vivermos de aparências e de relações falsas
uns com os outros. O erro é erro, o errado é errado.
Não precisamos
sair por aí espalhando o pecado de ninguém, mas quando nos é apresentado a
oportunidade, precisamos ser profetas para a nossa própria vida, mas para
ajudar a vida do outro a ser melhor.
Às vezes, perdemos
amizades, relacionamentos, às vezes, não vamos ser tão amados quanto queríamos,
mas não podemos perder a coerência de vida, o amor ao Evangelho e a fidelidade
a Jesus Cristo.
Deus abençoe você!
Padre
Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova
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