HOMILIA DIÁRIA
(Êxodo 40,16-21.34-38
/ Mateus 13,47-53)
“O Reino dos Céus é ainda como uma rede
lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo. Quando está cheia, os
pescadores puxam a rede para a praia, sentam-se e recolhem os peixes bons em
cestos e jogam fora os que não prestam”
(Mateus 13,47-48).
A graça
do pescador é poder jogar as suas redes ao mar e dela puxar o que ele precisa,
o peixe para a sua sobrevivência. É claro que o pescador vai ter discernimento,
porque ele vai saber que, naquela rede, não vieram somente peixes bons, peixes
vivos e comestíveis; alguns peixes estão estragados, e algumas coisas
estragadas também vieram na rede, e é preciso que o pescador faça a separação.
É verdade
que, no fim dos tempos, Deus vai separar o que é bom do que não é bom, mas é
também verdade que, no tempo que nós estamos vivendo, precisamos separar o que
é bom daquilo que não é bom, o que presta daquilo que não presta.
Vamos
comprar livros – e há bons livros, graças a Deus! –, e há livros que não
servem, que não nos alimentam, que não fazem bem para a nossa cultura nem para
a nossa formação moral. E eu poderia dizer isso de vários outros aspectos da
vida, dos filmes que nós assistimos até da comida que nós comemos e de tantas
outras coisas.
É muito
importante discernirmos o que entra em nosso coração, o que escutamos das
pessoas, o que vemos ao nosso redor. Precisamos ter o dom do discernimento, e o
dom do discernimento é o dom de separar, o dom de saber escolher: “Isso é bom.
Isso não é bom”.
Precisamos
separar o que é bom daquilo que não é bom, o que presta daquilo que não presta
A mulher
que vai ao supermercado tem um olhar clínico, ela sabe o que presta para levar
para a casa e aquilo que não é tão bom. Ela vai à feira e vê todas aquelas
frutas e legumes, ela sabe distinguir as que estão boas e as que não estão.
Precisamos dessa mesma sabedoria para a vida, a sabedoria de saber discernir e
distinguir, saber fazer escolhas, porque, muitas vezes, estamos engolindo o que
nos é colocado à frente e não estamos separando o que é bom do que não é bom.
Assim
como um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas,
precisamos separar também da vida aquilo que é velho, aquilo que se estragou,
aquilo que não serve mais. Não podemos ficar acumulando, no guarda-roupa, em
casa, coisas que não são mais utilizadas, coisas que já envelheceram com o
tempo, como também não podemos deixar permanecer dentro de nós coisas que já
estão velhas, estragadas e que já passaram do tempo.
É sempre
importante podar. As árvores são podadas, e é preciso podarmos também o nosso
coração, as nossas escolhas, aquilo que nós realizamos.
A
sabedoria do Evangelho é para ser aplicada na nossa vida cotidiana. Precisamos
de sabedoria para saber viver. Não é preciso ter muito conhecimento, mas é
preciso muito discernimento para as escolhas que nós fazemos dia a dia na nossa
vida. Aquele monte de papéis que vamos juntando, separemos sempre, joguemos
fora sempre tudo que recebemos, tudo que ganhamos, mas não nos esqueçamos de
olhar o que está dentro do nosso coração, porque tem coisas que não servem para
nada e ainda nos destroem por dentro.
Deus
abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova.
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