HOMILIA DIÁRIA
(Josué 3,7-11.13-17/ Mateus
18,21-19,1)
“’Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu
irmão pecar contra mim? Até sete vezes?’ Jesus respondeu: ‘Não te digo até sete
vezes, mas até setenta vezes sete’”
(Mateus 18,21-22).
Diante dessa
pergunta que Pedro dirigiu ao coração do Mestre: “Quantas vezes devemos perdoar
o irmão?”, a pergunta pode ser feita em outro sentido: “Senhor, quantas vezes o
Senhor deve me perdoar se eu pecar?”. Façamos essa pergunta para Deus: “Quantas
vezes você acha que Deus deve nos perdoar se nós pecarmos contra Ele?”.
Só pela
quantidade de pecados que nós cometemos, todos nós já estaríamos banidos da
graça se levássemos em conta a nossa lógica, a nossa matemática e a dureza do
nosso coração. Graças a Deus, Ele não é como nós. Deus é Deus, Ele é amor. Se
Deus é amor e está em nós, Deus está dizendo que nós também temos de ser amor
uns para com os outros.
Amor e perdão
são duas palavras que se conjugam, são duas expressões ou duas realidades
evangélicas que jamais andam separadas. Não existe amor sem perdão, como não
existe perdão para quem não vive o amor. Só quem ama é capaz de perdoar, e quem
perdoa é porque tem muito amor de Deus no seu coração.
Só com nossas
condições humanas não conseguimos perdoar quem peca contra nós, mas, graças a
Deus, conhecemos o amor de Deus. É o amor d’Ele que vai quebrando esse homem
duro que somos, esse homem carrancudo e mundano, e dando-nos um coração como o
d’Ele.
Só quem ama é capaz de perdoar, e quem perdoa é
porque tem muito amor de Deus no coração
Eu não peço a
Jesus para o meu coração ser semelhante ao d’Ele só para ser divino e habitar
as alturas. O coração se torna divino quando é capaz de perdoar.
Eu não conheço
algo mais divino que o perdão, porque foi pelo perdão que nós fomos redimidos,
pelo perdão que fomos reconciliados com Deus. É o perdão de Deus que nos deu a
condição de nos aproximarmos d’Ele.
Se eu
experimentei o perdão de Deus de forma tão plena, como posso limitar o perdão?
Cada um de nós tem dificuldade em perdoar, e não é por causa do perdão, é por
causa da vida mundana que está em nós, é porque a nossa experiência mundana é
maior do que a experiência evangélica.
Quem cresce na
mística do amor divino vai, cada vez mais, mergulhando no perdão de Deus, e o
melhor de Deus que experimentamos, damos aos outros. O melhor de Deus que
experimentamos, em nosso coração, é o Seu perdão. Por isso, não podemos viver
esse cristianismo, não podemos nos dizer discípulos de Jesus Cristo se nos
fecharmos para perdoar quem quer que seja.
Aqui na Terra,
enganamos e iludimos; iludimos a nós mesmos e uns aos outros. Fingimos que
gostamos, fechamos a cara, comungamos sem perdoar, passamos anos sem falar com
a pessoa, desviamos de rotas para não a ver, vivemos ilusões até no campo da
fé.
Vou me lembrar
um bom confessor que tive: podemos enganar a nós mesmos, mas a Deus ninguém
engana. Perdão é perdão, ilusão é ilusão, rancor e ressentimento é rancor e
ressentimento. O primeiro passo para perdoar é reconhecer que temos dificuldade
de perdoar e mergulhar no amor de Deus, para Ele nos ensinar e nos dar a graça
do verdadeiro perdão.
Deus abençoe
você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da
Comunidade Canção Nova
https://homilia.cancaonova.com/homilia/o-coracao-se-torna-divino-quando-e-capaz-de-perdoar/
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