HOMILIA DIÁRIA
(Números
20,1-13/ Mateus 16,13-23)
“Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma
pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos
homens!”
(Mateus 16,23).
Jesus estava
perguntando para os homens quem era o Filho do Homem, e, diante de tantas
respostas, é Pedro quem dá Lhe a resposta essencial: “Tu és o Cristo, o Filho
do Deus vivo”.
Jesus é para nós o
Cristo, é o Senhor, Ele é a vida de Deus, Ele é Deus vivo e presente no meio de
nós. E Pedro foi feliz, pois foi em cima dessa verdade que ele se abriu e Deus
colocou, no seu coração, a responsabilidade de cuidar da Igreja, para que a Igreja
do Senhor esteja fundada nessa única verdade.
Cristo é o único
fundamento, é a única pedra. A felicidade de Pedro está em seguir Cristo vivo e
verdadeiro. O Cristo vivo e glorioso é o Cristo, o Servo sofredor, é Aquele que
vai carregar a sua cruz, é aquele que vai ser morto, é aquele que vai ser
negado pelos homens.
Diante dessa
afirmação do Senhor, Pedro repreende Jesus: “Não, o Senhor não vai passar por
isso”. É como se nós também estivéssemos dizendo para Jesus:
“Não queremos
carregar nenhuma cruz. Não queremos saber de nenhum sofrimento. Não queremos
saber de nenhuma vida difícil. Não queremos saber de morrer. Não morreremos”.
Caminhemos em direção ao Céu sem deixar de carregar
a nossa cruz de cada dia
Assim como Jesus
disse a Pedro, Ele também diz a nós: “Esse pensamento é mundano”. É assim que o
demônio quer que nós pensemos, é assim que satanás ilude o mundo, é a
propaganda dele. Ninguém mais vai ter problema, doença, enfermidade; vai ser
tudo prosperidade, vai ser tudo muito bem.
Não é verdade, pois
a vida humana caminha para a glória de Deus, e os discípulos seguem o seu
Senhor e Mestre na agonia da cruz para poder chegar à glória da ressurreição.
Não podemos separar o Cristo, como se um fosse o Cristo sofredor e o outro
fosse o Cristo glorificado e ressuscitado.
O Cristo sofredor,
o Cristo servo e desprezado pelos homens, é o Cristo glorioso. Do mesmo jeito,
Cristo está conosco no sofrimento e na alegria, na doença e na cura, está
conosco na morte para nos conceder a ressurreição.
Não pensemos nem
deixemos que a nossa vida seja guiada apenas pelo pensamento de que Deus
concede apenas aos Seus prosperidade, porque o Seu próprio Filho experimentou a
cruz no sentido mais profundo que ela possa ter.
A vida de Cristo
não foi próspera, cheia de momentos felizes onde tudo ia bem, onde só acontecia
coisas maravilhosas. É claro que Ele experimentou, na carne humana, tudo aquilo
que são as vicissitudes da vida humana de correr, de ter alegria, mas de ter
tristezas, de ter momentos felizes, mas também decepções. É verdade que Ele
experimentou alegrias que fez o seu coração exultar, mas experimentou uma
tristeza profunda, que suou até sangue. Por isso, Deus não quer que nos
percamos na vida, sobretudo, na nossa relação com Ele.
Caminhemos em
direção ao Céu sem deixar de carregar a nossa cruz de cada dia. O que passar
disso não é de Deus, é a visão mundana que, muitas vezes, invade a nossa
mística e a nossa espiritualidade de seguidores de Jesus.
Deus abençoe você!
Padre Roger Araújo
Sacerdote da
Comunidade Canção Nova
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