HOMILIA DIÁRIA
(Juízes 9,6-15/ Mateus 20,1-16)
“Ao receberem o pagamento, começaram a
resmungar contra o patrão: ‘Estes últimos trabalharam uma hora só, e tu os
igualaste a nós, que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro’”
(Mateus 20,11-12).
A parábola do
administrador que contratou operários para a sua vinha remete-nos aos
acontecimentos finais da humanidade. Durante toda a história do ser
humano, Deus vai chamando os Seus. Alguns vêm na primeira hora, outros
vêm na metade do dia, outros vêm quase no final do dia, e a cada tempo a graça
de Deus vai chegando nos corações.
O importante é que
a graça de Deus chegue. O importante é que a graça de Deus conquiste o maior
número possível de pessoas, porém, existem as intempéries humanas presentes,
não só nas questões religiosas, mas nas questões cotidianas da nossa vida.
Queremos entender
que justiça é sermos todos iguais quando, na verdade, não somos. A justiça é
dar o tratamento que cada um merece, de modo que ser injusto é não dar ao outro
o que ele merece.
O amor de Deus é
para com todos, ainda que ele não chegue a todos ao mesmo tempo, por diversas
situações, mas o desejo do Pai é chegar ao coração de todos.
Na mão de Deus ninguém é injustiçado, na mão de
Deus ninguém fica sem receber Sua graça e Seu amor
O nosso coração
humano é movido pela inveja, pelo ciúmes, e, nos últimos tempos, têm acelerado,
cada vez mais, o processo de competição entre as pessoas. Competir quer dizer
sentir-se inferior ao outro, mais importante e mais valorizado que o outro.
sentir-se inferior ao outro, mais importante e mais valorizado que o outro.
Deus valoriza
aquilo que ninguém valoriza, Ele reconhece aquilo que não reconhecemos, Ele faz
justiça de acordo com o Seu coração e não de acordo com os critérios do coração
humano, que faz acepção de pessoas, coloca pessoas mais importantes que outras.
Deus vai começando
dos últimos para tratar a cada um conforme o seu coração. Uma coisa podemos ter
certeza: na mão de Deus ninguém é injustiçado, na mão de Deus ninguém fica sem
receber Sua graça e Seu amor. O que acontece é que o egoísmo, o orgulho e a
soberba humana não se satisfazem, muitas vezes, com o que têm, querem sempre
mais, por isso entregam a alma à tristeza, entregam o coração à competição e
não se conformam com a situação que têm.
Quando recebemos
uma coisa, ficamos satisfeitos com o que temos. A insatisfação toma conta de
nós quando começamos a nos comparar com o outro: “O outro é melhor”, e
começamos a desgostar do que é nosso.
Uma criança recebe
um presente e está muito feliz, mas ela começa a se desfazer do presente quando
sabe que o outro tem um presente melhor que o dela. Esses operários que
receberam o seu salário estavam satisfeitos com o que foi combinado, mas eles
começaram a murmurar e a reclamar quando souberam que outros funcionários
ganharam igual a ele, porém, eles receberam o que foi combinado.
O sentimento
humano é assim, quando começamos a nos comparar, começamos a invejar e a criar
outros sentimentos, porque vão nos deprimindo e nos comparando sempre com os
outros.
Deus abençoe você!
Padre
Roger Araújo
Sacerdote da
Comunidade Canção Nova
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