HOMILIA DIÁRIA
(Ef
2, 19-22/ Jo 20, 24-29)
“Depois disse a Tomé: ‘Põe o teu dedo aqui e
olha as minhas mãos. Estende a tua mão e coloca-a no meu lado. E não sejas
incrédulo, mas fiel’”
(João 6,27).
Jesus, o
Ressuscitado, está dizendo ao apóstolo São Tomé o que temos, hoje, a graça de
celebrar: “Não seja um homem incrédulo, mas fiel”.
Incredulidade
todos nós temos. Somos uma mistura de fé e incredulidade, uma mistura de
confiança e desconfiança até de Deus. Eu sei que todos nós cremos n’Ele, mas
não nos abandonamos n’Ele.
Somos movidos por
aquilo que domina o mundo em que estamos, que é o racionalismo e o
materialismo. A racionalidade faz parte daquilo que somos enquanto pessoas
humanas, e não podemos ignorar a razão, a qual é muito importante para que as
coisas sejam concatenadas, compreendidas e elucidadas.
O que não pode é a
razão dominar a fé. A razão tem elementos maravilhosos para a fé, mas a fé é
algo muito mais sublime, ela é sobrenatural, é a nossa união com o Divino. Por
isso, não podemos tornar a nossa fé material.
A fé material é
aquela em que só cremos naquilo que vemos, naquilo que os olhos podem enxergar.
Isso não é fé, pelo contrário, isso é falta de fé, porque cremos num Deus que
não vemos, mas O amamos e tocamos, porque Ele toca em nós, e a sua graça está
em nós.
A fé precisa estar para além dos sentidos e
sentimentos, porque ela é o encontro pessoal e transformador com Deus
A graça de Deus se
materializa quando a assumimos em nossa vida e a fazemos acontecer. A fé em
Deus não se materializa no sentido material da presença sensível, humanamente
falando, mas a fé se materializa nos gestos, no amor, na vivência e nas
atitudes que demonstramos em relação a ela.
Nossa fé, muitas
vezes abalada, torna-se uma fé incrédula quando passamos por decepções. Os
discípulos estavam acordando de uma profunda decepção, pois o Mestre que eles
seguiam foi crucificado. É óbvio que isso os deixou abalados, porque não se
prepararam ou não mergulharam no mistério da cruz.
Quando não
mergulhamos no mistério da cruz de Jesus, também nos abalamos diante das
adversidades, das situações complicadas e duras da vida. Abalamo-nos diante de
tantas situações que colocamos até a nossa fé em xeque. Quando a nossa fé é
autêntica, quando ela é provada no mistério da cruz de Cristo, passamos por
situações, purificações, nem sentimos a presença de Deus muitas vezes, mas a
nossa fé é para além dos nossos sentimentos.
Não cremos porque
sentimos, cremos, porque Ele nos ama e a nossa resposta de amor a Deus é a
nossa fé. Por isso, a fé precisa estar para além dos sentidos e sentimentos,
porque fé é encontro pessoal e transformador com esse Deus que deu razão e
sentido para a nossa vida.
Deus abençoe você!
Padre
Roger Araújo
Sacerdote da Comunidade Canção Nova
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