Comentário ao Evangelho
(Lucas 17,20-25)
A preocupação do fariseu sobre "quando virá o Reino de Deus" recebeu de Jesus uma resposta que pode ser interpretada de três maneiras diferentes. Em todo caso, a resposta do Mestre não deve ter deixado o homem satisfeito, pois esperava algo bem mais preciso para poder levantar suspeita a respeito de Jesus.
O Reino não se limita a um determinado espaço geográfico, de forma a ser possível reconhecê-lo num lugar bem preciso. Neste sentido, seria inútil considerar Jerusalém a cidade privilegiada da qual o Reino faria sua irrupção na história humana. Ele não virá de maneira ostensiva, de modo a ser possível dizer "ei-lo aqui, ei-lo ali".
A manifestação do Reino não se fará num momento previamente determinado Sua presença já era uma realidade, sem que muita gente a tivesse percebido. Ele se manifesta discretamente, sem alarido, decepcionando quem contava com uma manifestação clamorosa, nos moldes da apocalíptica tradicional.
O Reino de Deus faz-se presente na pessoa e no ministério de Jesus. O senhorio absoluto do Pai, em sua vida, indica que algo de novo acontece na História, de modo a desarticular as maquinações do pecado. Como os fariseus recusavam-se a acolher o Filho, na qualidade de enviado do Pai, também não conseguiam atinar que o Reino já estava no meio deles, na humilde simplicidade de Jesus de Nazaré.
Oração
Pai, abre meus olhos para que eu possa perceber, na pessoa e no ministério de Jesus, a presença de teu Reino na nossa História. E, reconhecendo-o, eu me deixe guiar por ele.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.