Comentário ao Evangelho
(Mateus 7,1-5)
Uma tentação da qual ninguém está isento é a de criar dois pesos e duas medidas: uma para ser aplicada a si mesmo; outra para ser aplicada ao próximo. Enquanto uma é suave, complacente, benevolente, contemporizadora, a outra é dura, impiedosa, exigente, mesquinha. Esta mentalidade distorcida não passou despercebida a Jesus: existe um só peso e uma só medida com os quais a pessoa será julgada por Deus, no juízo final. E são estabelecidos pela própria pessoa.
Jesus passou da história humana – o julgamento do próximo – à escatologia – o julgamento feito pelo Pai –, considerando a continuidade que existe entre os dois momentos. A medida e o julgamento aplicados ao próximo, ao longo de sua vida, o discípulo encontrará no final de sua própria existência terrena, ao confrontar-se com o Pai.
Por outro lado, o Mestre denunciou a hipocrisia, característica de quem julga o próximo, sem discernimento. Ele será capaz de perceber uma falta insignificante na vida alheia, e deixar passar em branco seus enormes pecados. E verá um cisquinho no olho do próximo, mas considerará coisa banal e sem importância a trave em seu olho.
Sem uma purificação prévia do próprio olhar, o discípulo jamais será capaz de julgar o próximo de maneira conveniente, com a misericórdia que é característica do Pai.
Oração
Pai, livra-me de julgar meus semelhantes de maneira severa e impiedosa. Que eu seja misericordioso com eles, assim como és misericordioso comigo.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.