Comentário ao Evangelho
(Mateus, 5,1-12)
O Reino anunciado por Jesus subverte a ordem social mundana e aponta para a nova ordem querida por Deus. Tem precedência no Reino quem é vítima da marginalização, da opressão, é indefeso e não tem como defender seus direitos. E também quem tem compaixão do próximo, é sincero e transparente no seu agir, busca a prosperidade e o bem estar para todos sem exceção e adere à justiça a ponto de ser perseguido por causa de sua opção.
A condição de bem-aventurado do Reino provém de duas situações distintas. A primeira diz respeito à ação perversa do mundo contra determinadas categorias sociais, privadas de seus direitos mais elementares e reduzidas à condição de joguete nas mãos de pessoas inescrupulosas. Neste caso, não importa se a pessoa tem ou não consciência de ser bem-aventurado. Basta que o mundo não a reconheça para que seja reconhecida por Deus. A segunda diz respeito à ação destemida dos discípulos do Reino que, remando contra as forças adversas ao Reino, dão à sua vida o rumo querido por Deus. Eles não se curvam diante das solicitações malignas do mundo, embora devendo pagar um preço alto. O Reino e seus valores é são eixo de suas vidas.
A bem-aventurança do Reino não é procurada por si mesma. Jesus é quem declara a condição de bem-aventurado. Basta ao discípulo manter-se fiel ao projeto de Jesus.
Oração
Senhor Jesus, não permita que eu me curve aos caprichos do mundo e, sim, caminhe firme na estrada das bem-aventuranças.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.