Comentário ao Evangelho
(João 6,52-59)
O evento pascal de Jesus não foi aceito com tranqüilidade como se fosse algo evidente e inquestionável. Foram muitas a interrogações, as dúvidas e as suspeitas levantadas em torno do Ressuscitado. Tudo isto era a seqüência dos contínuos questionamentos aos quais Jesus fora submetido, no decorrer de sua missão. Suas palavras foram mal-entendidas e, muitas vezes, destorcidas por discípulos e adversários. Não é novidade que também a Ressurreição passasse por isto.
Quando Jesus falou que daria sua carne como pão para a vida do mundo, muitos se perguntavam como seria possível tal coisa. As palavras do Mestre foram tomadas no seu sentido literal. Por isso, chegou-se a interpretações absurdas e inaceitáveis. Para entendê-las corretamente, era preciso situá-las no horizonte de Jesus e do Pai.
A Ressurreição de Jesus, dado seu caráter de novidade e de superação dos esquemas humanos já conhecidos, exigiu um esforço grande, por parte dos discípulos, para ser entendida sem deturpações.
Como Jesus pôde ressuscitar? O Ressuscitado é o mesmo Jesus de Nazaré? Por que processo teria passado o corpo material de Jesus? Como se explica que Jesus continue junto da comunidade, em comunhão com ela?
Estas questões teriam ficado sem resposta suficiente, se não tivessem sido respondidas a partir do horizonte de Jesus e do Pai.
Oração
Senhor Jesus, que eu chegue à compreensão do evento de sua morte e Ressurreição, guiado por ti e pelo Pai.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.