Comentário ao Evangelho
(João 14,27-31)
A presença do Ressuscitado era certeza de paz para a comunidade cristã. Jesus, porém, contrapunha sua paz à paz oferecida pelo mundo. Elas são irreconciliáveis. O discípulo de Jesus necessita estar atento para não confundi-las. Em que elas se distinguem?
A paz de Jesus funda-se no amor e na justiça e tem em mira o surgimento de um mundo verdadeiramente fraterno, onde os bens sejam compartilhados entre todos, sem exceção. Ela tende a levar os discípulos a uma comunhão tão profunda, a ponto de se sentirem um só coração e uma só alma. A paz de Jesus rejeita toda espécie de idolatria, que coloca criaturas no lugar de Deus e submete o ser humano a um regime de opressão. Ela é toda feita de esperança.
A paz que o mundo oferece prescinde de Deus e se funda num projeto contrário ao dele. Aí, se encontram a injustiça, a concentração de bens às custas da exploração alheia, o desrespeito pelo ser humano. É o império do egoísmo que idolatra pessoas e coisas, e transforma os indivíduos em seus escravos.
Jesus alertou a comunidade para que não se deixasse enganar pelo príncipe deste mundo. O discípulo não se perturba, mesmo sabendo que é desafiante trilhar os caminhos da paz do Senhor.
Oração
Senhor Jesus, conduze-me pelos caminhos da tua paz, que é fruto do amor e da justiça, expressões da comunhão fraterna.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.