Comentário ao Evangelho
(João 6,30-35)
Jesus viu-se continuamente às voltas com pessoas que lhe pediam milagres como pré-condição para acreditar em suas palavras. Ele se recusava a ceder a este capricho de seus interlocutores, procurando levá-los a crer nele motivados apenas pela convicção da veracidade de suas palavras. A fé, neste caso, dependia da empatia entre Jesus e seus ouvintes. Ou havia simplicidade e confiança por parte de quem ouvia Jesus, de forma a assumir a projeto de vida que ele apresentava, ou se fazia as palavras de Jesus dependerem da comprovação de um milagre que, não acontecendo, deixava sem efeito a sua pregação.
O milagre da partilha generosa dos pães não foi suficiente para levar os suspeitosos à fé. Exigiam sempre mais. Pediam obras sempre mais retumbantes.
O mesmo se passou no contexto da Ressurreição. Solicitava-se do Ressuscitado sempre novas provas da veracidade da Ressurreição e de sua presença viva e atuante no meio da comunidade. De novo, condicionava-se a fé à demonstração de poderes prodigiosos.
O milagre, porém, estava acontecendo em termos de transformação radical dos discípulos de Jesus, na vida fraterna e partilhada que se sentiam motivados a levar, na caridade praticada em relação aos necessitados. Este era o verdadeiro milagre do Ressuscitado.
Oração
Senhor Jesus, concede-me a graça de ter uma fé pura que não dependa de provas miraculosas de tua presença, antes, provenha de uma confiança pura em ti.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.