Comentário ao Evangelho
(Lucas 24,35-48)
A vida em comunidade foi de suma importância no processo de consolidação da fé dos primeiros cristãos. Superada a tentação de dispersar-se, reconheceram ser fundamental manter-se unidos, fiéis às instruções recebidas do Mestre.
A celebração eucarística – conhecida como fração do pão – era um momento privilegiado de partilha da fé. A leitura das Escrituras, reinterpretadas à luz do mistério pascal, a recordação da vida de Jesus e a percepção dos sinais de sua presença no meio dos discípulos serviam de suporte para a fé dos discípulos, em fase de afirmação.
Afinal, a ressurreição deixara-os perturbados, cheios de interrogações. Eles confundiam o Ressuscitado com uma espécie de espírito errante, a vagar pela Terra. Alguns recusavam-se a compreender que o Ressuscitado era o mesmo Jesus que havia sido crucificado. Outros já não se recordavam que o Mestre os prevenira a respeito de seu destino de sofrimento, morte e ressurreição, como também nem se lembravam da missão que lhes havia sido confiada, qual seja, a de pregar a penitência para a remissão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém.
Somente os que permaneciam unidos aos demais conseguiam entender tudo o quanto se referia a Jesus. O individualismo e a fuga eram os piores inimigos da fé. A descoberta do Ressuscitado devia ser feita em comunidade.
Oração
Pai, faze-me a compreender a importância da comunidade na dinâmica da consolidação de minha fé no Senhor ressuscitado.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.