Comentário ao Evangelho
(Marcos 3,1-6)
É difícil de entender por que os fariseus e os herodianos combinaram uma maneira de matar Jesus, depois de tê-lo visto curar um homem cuja mão era seca. Se o indivíduo tivesse sido vítima de uma maldade, daria para compreender. Entretanto, havia recebido um benefício e, mesmo assim, seu benfeitor foi visto com maus olhos. Por quê?
Tudo aconteceu por causa de um tipo de religião mal-equacionada. Religião em que certos princípios acabam se tornando tão absolutos que, diante deles, o direito à vida fica em segundo plano. Que isto acontecia com a religião de Israel não dá para entender! Ao longo da história deste povo, Deus sempre se manifestara como o Deus da vida e da libertação, jamais se mostrava indiferente ao que dizia respeito a estes dois componentes da existência humana. Seus mandamentos visavam garantir vida e liberdade para o povo. E se irava contra quem os desrespeitava.
Em sintonia com o Pai, o Filho foi também defensor intransigente da vida. Sempre que estava ameaçada, aí estava ele para recuperá-la. Mesmo sendo dia de sábado, não se recusava a agir, quando se tratava de fazer o bem.
Os fariseus não abriam mão de sua visão desumana da religião. E quando se defrontaram com Jesus curando em dia de sábado, não hesitaram em puni-lo com a morte, num flagrante contraste com o modo divino de agir.
Oração
Espírito que humaniza, não me deixes transformar a religião em instrumento de opressão. Faze, ao invés, que eu me coloque sempre a serviço da vida.
Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica.